20 de abril de 2015

Comunicação e relação de casal ...

“Communicare” significa pôr em relação, em comunhão, a tornar comum, permitindo a cada um dos elementos do casal conhecer-se enquanto indivíduos e enquanto “nós”. Este nós é determinado pelo comportamento de cada elemento do casal porque duas pessoas em presença uma da outra têm um comportamento ou outro. Num casal, por vezes, o determinismo individual tem consequências na dinâmica do casal porque o funcionamento individual é determinante no funcionamento do casal. Há indivíduos que têm problemas psíquicos e/ou psicológicos que têm que ser tratados em psicoterapia e não em Terapia de Casal.
 
O Nós do casal, como todas as relações entre duas pessoas, pode ser:
Simétrico – os indivíduos tendem a reflectir o comportamento do outro, minimizando as suas diferenças e amplificando as semelhanças comunicacionais, ou seja, cada um dos elementos do casal luta para «ser igual» (ou «não ser menos» que o outro) ou
Complementar – o comportamento de um sujeito complementa o do outro, maximizando-se as diferenças existente entre ambos, ou seja, a relação é estabelecida sobre as diferenças recíprocas entre os elementos do casal, sendo que um ocupa a posição superior, de quem define a relação, e outro ocupa a posição inferior, aceitando a definição do outro.
 
Quando há distorções destes nós, o que acontece é que no nós simétrico há uma rivalidade entre os dois elementos do casal para que os dois dominem a situação e, isso acaba por criar frustração nos dois. No nós complementar, aquele que aceita a definição do outro, complementa-se a este de forma tão disfuncional que se acaba por anular enquanto pessoa e o outro tende a manipular todas as situações. Assim, para que a relação de casal funcione é necessário que esta seja simétrica em algumas áreas e complementar em outras, que balance entre os dois nós, de forma funcional para o casal. A partir do momento em que as coisas se tornam disfuncionais, a relação do casal não funciona porque não há um equilíbrio entre os dois elementos do casal.
 
A comunicação refere-se tanto à parte verbal (as palavras que utilizamos = aspectos racionais) como à parte não-verbal (a nossa apresentação, a forma como posicionamos o nosso corpo e utilizamos a nossa voz, o nosso comportamento = aspectos emocionais). É impossível não comunicar porque tudo aquilo que dissermos ou fizermos, consciente ou inconscientemente, intencional ou não intencionalmente, verbal ou não verbalmente, constitui a comunicação. Como refere Madalena Alarcão “a comunicação humana é constituída por sinais verbais, corporais e comportamentais. Se observarmos do exterior uma interacção entre duas ou mais pessoas, podemos notar que certas sequências se repetem e que os mesmos comportamentos se implicam mutuamente.”
 
A falta de comunicação (seja ela verbal ou não verbal) entre os elementos do casal pode tronar-se um problema bastante grande que muitas vezes leva ao fracasso do seu relacionamento amoroso. Há casais que não têm problemas nenhuns a comunicar com o outro conseguindo partilhar o que pensam, o que sentem, as suas opiniões, valores, necessidades, frustrações, as suas alegrais, sucessos, aspirações, sonhos e desejos; e há outros, que não o conseguem fazer, nem pelas palavras, nem pelos gestos, comportamentos ou atitudes.
 
Como diz Daniel Sampaio, o problema é que as pessoas não discutem a relação. Quando há discussões entre o casal, discute-se sobretudo como cada elemento do casal satisfaz o outro ou não, estando muito voltadas para si mesmas. O amor dura para sempre, desde que seja construído ao longo do tempo, que ambos os elementos do casal se consigam colocar no lugar do outro e percebam o que o outro está a sentir: se se sente bem com o que o outro elemento do casal faz ou não.
Um casamento dá trabalho, constrói-se ao longo do tempo e não é um mar de rosas, como muitas pessoas pensam ou idealizam. Sim, claro que se pode tornar num mar de rosas, mas para isso acontecer exige esforço de ambos os elementos do casal. O amor é cuidar, é sentir as necessidades do outro mais como se fossem as do próprio. Podemos igualar o casamento a uma simples planta, planta esta que necessita de ser regada por cada elemento do casal; quando isto não acontece, e só um dos elementos do casal a rega, a planta já não reconhece a importância do outro. Acontece o mesmo num casamento. As acções feitas, os comportamentos tidos, as palavras ditas determinam o desenvolvimento de um casamento e se todas estas coisas só são feitas por um dos elementos do casal, o casamento deixa de estar equilibrado.
Aí surgem os desconfortos, as discussões, as meias palavras, os sinais, os comportamentos pouco naturais, os amuos, a agressividade verbal, o evitamento, o revirar os olhos, etc. Já não há comunicação eficaz. Há apenas uma corda a ser puxada entre os dois elementos para ver quem é que ganha.
 
É importante que entre si o casal fale, discuta, esclareça, partilhe, se coloque no lugar do outro, tolere, respeite, para que consiga esclarecer os conflitos existentes, os diferentes pontos de vista do casal Nesta partilha, não tem que haver nem vencedor nem vencido, o mais importante é que haja uma comunicação comum, o que cada um sentiu perante o comportamento do outro.Esta partilha levará a conversas sobre as fragilidades da relação e à responsabilização do casal como um todo e, não a acusações individuais a cada um dos elementos do casal. Havendo uma comunicação comum, as mudanças pequenas ou grandes, acontecem e, a mudança que acontece num dos elementos potencia a mudança no outro elemento do casal.
 
Assim é necessário “criar pontes … criar cumplicidades … criar pontos de entendimento” para que se crie uma relação harmoniosa. Temos que pensar que há sempre solução, há sempre saída, há sempre uma esperança que as coisas melhorem.
 
E em jeito de conclusão, tal como referiu Nelson Mandela “Se falares a um homem numa linguagem que ele compreenda, a tua mensagem entra na sua cabeça. Se lhe falares na sua própria linguagem, a tua mensagem entra-lhe directamente no coração.”

17 de abril de 2015

A vida é ...


... aproveitar todos os dias como se fossem os últimos para não haver arrependimentos!!!
Carpe Diem :)



 


16 de abril de 2015

Famílias ...

O conceito de família não pode ser delimitado a laços de sangue, casamento, parceria sexual ou adopção. Qualquer grupo cujas ligações sejam baseadas na configuração suporte mútuo e um destino comum, deve ser encarado como família” – Definição de família segundo a OMS em 1994.

Uma família tem de cumprir duas tarefas primordiais: a de construção de um sentimento de pertença ao grupo familiar e a da promoção da individualização/autonomização dos seus elementos. É um sistema sócio-cultural que se deverá transformar, desenvolver e adaptar aos vários acontecimentos que vão surgindo durante a vida permitindo, assim, o crescimento psico-social dos seus elementos familiares através do equilíbrio entre o processo de diferenciação ou de construção de identidade e a manutenção do sentimento de pertença familiar. Isto pressupõe que haja flexibilidade de padrões transacionais.

Segundo Madalena Alarcão, em (Des) Equilíbrios familiares, a família é constituída por vários subsistemas, mais propriamente quatro: o subsistema individual, o subsistema conjugal, o subsistema parental e o subsistema fraternal.

O subsistema individual é composto pelo próprio indivíduo, é o seu eu. No entanto, este eu também pertence aos outros subsistemas o que acaba por criar um dinamismo que se reflecte no seu próprio desenvolvimento e na forma como ele está, se comporta e interage em cada um destes contextos.

O subsistema conjugal constitui-se por duas pessoas (marido e mulher, mulher e mulher, marido e marido) que se complementam e se adaptam reciprocamente. Uma das funções deste subsistema é o desenvolvimento de limites que protejam o casal da intromissão de outros elementos, como por exemplo os filhos e/ou as famílias de origem de cada um dos elementos. Este subsistema é de máxima importância para o crescimento dos filhos porque lhes serve de exemplo para o estabelecimento das suas futuras relações, do modo como lidar com os conflitos, dos valores a transmitir, …

Este subsistema é um espaço privado de suporte afectivo e emocional do casal, de realização afectiva e de enriquecimento pessoal, uma área privada que não deve ser invadida pelos filhos nem pela família alargada.

O subsistema parental tem como objectivo principal a educação e protecção das gerações mais novas. “É a partir das interacções pais-filhos que as crianças aprendem o sentido da autoridade, a forma de negociar e de lidar com o conflito.” (…) Assim, este subsistema facilita o adequado processo evolutivo dos filhos, promove a sua socialização, exige uma grande flexibilidade e constante adaptação às diferentes fases de adaptação dos filhos, tendo sempre presentes o amor, a autoridade, a flexibilidade, entre outros. É como se fosse sempre uma “faca de dois gumes”: os pais não podem proteger e guiar sem controlar e restringir; mas os filhos não podem crescer e tornar-se autónomos sem rejeitar e atacar.

O Subsistema fraternal é constituído pelos irmãos. “É um lugar de socialização e de experimentação de papéis face ao mundo extra-familiar, primeiro em relação à escola e depois em relação ao grupo de amigos e ao mundo do trabalho. (…) É aqui que as crianças desenvolvem as suas capacidades relacionais experimentando o apoio mútuo, a competição, o conflito e a negociação das brincadeiras solidárias e nas «guerras».” Nas famílias numerosas, os filhos agrupam-se em vários subsistemas, de acordo com a idade ou nível de desenvolvimento, o que ser reconhecido pelos pais.

Os subsistemas têm funções diferentes, mas estão intimamente ligados, logo devem ter regras e fronteiras bem definidas entre eles, mas ao mesmo tempo deverão ser flexíveis para permitirem a intercomunicação. É como se a família fosse uma balança e esta balança tivesse quatro pratos. Estes quatro pratos deverão estar equilibrados para que consiga existir equilíbrio entre os vários elementos do sistema familiar. Quando não existe este equilíbrio, é porque as regras e as fronteiras não estão bem definidas e são frouxas, permitindo a interferência constante dos outros subsistemas, permitindo, assim, que ocorram formas de relações simbióticas, coligações, a parentificação, … No entanto, estas regras também não podem ser extremamente rígidas, porque se assim o forem, acabam por criar distância e isolamento do casal e empobrecimento de cada um dos seus elementos.

As regras permitem, assim, “regular a passagem da informação entre a família e o meio (…) e protegem a diferenciação do sistema e dos seus membros. (…)” Devem permitir o reconhecimento das características individuais e de maturação progressiva dos diferentes membros.

A partir da distinção destes limites/regras definem-se dois tipos de família: as famílias emaranhadas ou aglutinadas (onde existem fronteiras difusas) e as famílias dispersas ou desagregadas (onde existem fronteiras rígidas).

As famílias emaranhadas ou aglutinadas “(…) fecham-se em si mesmas, promovem e alimentam em exagerado nível de intercâmbios e de preocupações entre os diferentes elementos, reduzindo as distâncias interpessoais e misturando as fronteiras entre gerações, subsistemas e indivíduos. Os papéis familiares são rígidos e um dos pais é, frequentemente, colocado numa posição one-down. Estabelecem fronteiras rígidas com o exterior e pode restringir as suas capacidades de adaptação, tornando stressantes todas as solicitações de autonomia que são vistas como faltas de lealdade para com o sistema familiar.” Assim, há uma falta de clareza dos limites e fronteiras entre os subsistemas, não permitindo a individualização dos seus elementos.

As famílias dispersas ou desagregadas “estabelecem-se fronteiras excessivamente rígidas no seu interior e difusas com o exterior. (…) Os intercâmbios comunicacionais entre os subsistemas tornam-se difíceis e as funções de protecção da família estão diminuídas. Funcionam de forma individualista como um cut-off emocional. Os papéis parentais são instáveis, apesar da sua aparente rigidez. A agressividade e os comportamentos anti-sociais.” Assim, existem limites muito marcados, vivendo cada elemento de modo isolado, sem vivência de pertença ao conjunto familiar, não existindo vida relacional na própria família.

Uma família flexível é capaz de se adaptar a circunstâncias diferentes, mantendo a sua continuidade como grupo e permitindo o crescimento psico-social de cada um dos seus membros.

Em jeito de conclusão, numa família saudável “há uma noção de conjunto, existe fronteiras claras entre gerações, há transmissão de valores familiares, há flexibilidade nos papéis familiares, a distribuição do poder é flexível e existe possibilidade de negociação, tem muito espaço para brincar, os sintomas podem surgir em situações de crise (mas aprende-se com eles), valoriza-se o diálogo, há uma ligação aberta ao meio social envolvente …”.

15 de abril de 2015

E chegámos aos 300!!!


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Eu a pensar que ninguém ia ler o blog e afinal chegámos às 300 visitas!!!! Mesmo contente :)

14 de abril de 2015

Dia do café

Diz que hoje é Dia do Café!!! E eu não consigo mesmo passar nenhum dia sem os meus dois (um ao pequeno almoço e outro depois do almoço).
Ah! E o nosso é mesmo um dos MELHORES CAFÉS DO MUNDO!!!!
 
Feliz dia do Café!!!

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11 de abril de 2015

Por cada minuto que nos zangamos perdemos 60 segundos de felicidade

Ontem ao ver os meus e-mails, reparei num da Odisseias com promoções para a decoração de casa. A loja é on-line, é a http://www.mystickit.com/.
Adorei as coisas todas e, para não variar já estou com mil ideias cá para casa :)
E esta frase diz muita coisa e faz-nos pensar sobre outras tantas ...
Quem sabe se para colocar na parede do meu futuro gabinete de Terapia Familiar?!
Acho que é uma óptima ideia.

10 de abril de 2015

As 50 Sombras de Grey

No fim de semana passado cá por casa fomos (finalmente) ver as 50 Sombras de Grey.
Ora bem ... crítica ao filme: para não variar, o livro supera em muito o filme (e ainda não o acabei). Achei sinceramete que o realizador pegou em vários capítulos do livro e resolveu (porque lhe deu na cabeça) fazer o filme. E se fossem cenas seguidas ... mas não. Parece que não tem sentido nenhum!!!
E depois, quem não leu o livro, pode achar que aquilo tinha algum sentido, mas para quem leu ... a conversa já é outra.
Relativamente à banda sonora, a conversa já é bem diferente ... brutal!!!


O que eu gosto desta música # 2

4 de abril de 2015

Feliz Páscoa

Recebi este e-mail de uma amiga minha (da I.) e adorei ...
 
"A Páscoa…
É ser capaz de mudar.
É partilhar a vida na esperança.
É lutar para vencer toda sorte de sofrimento.
É ajudar mais gente a ser gente.
É viver em constante libertação.
É dizer sim ao amor e à vida.
É investir na fraternidade.
É lutar por um mundo melhor.
É vivenciar a solidariedade.
É renascimento, é recomeço.
É uma nova OPORTUNIDADE para melhorarmos as coisas que não gostamos em nós. Para sermos mais felizes por conhecermos a nós mesmos mais um pouquinho.
É vermos que hoje… Somos melhores do que fomos ontem.
Desejo uma feliz Páscoa, cheia de paz, amor e muita saúde"
 
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2 de abril de 2015

Pensamentos # 2

Foto de Live, not just survive.

 
Há uma expressão em São Tomé e Princípe que é "Leve leve". Deve ser a expressão que os são tomenses utilizam mais.
Tem muito a ver com o levarmos a vida. Se a levamos como um fardo ou se a levamos de forma leve.
Sempre encarei as coisas de forma positiva, mesmo quando as notícias não são as melhores (bem pelo contrário), tento sempre ver alguma coisa positiva no meio daquilo tudo. Acho que está muito relacionado com a personalidade das pessoas e eu sou assim.
Claro que tenho os meus momentos (quem não tem?!), mas ... é bem preferível levá-la de forma "leve leve" :)

21 de março de 2015

17 de março de 2015

3ª feira chuvosa ...

... e tarde de limpezas cá por casa!!!
Conheço pessoas que só de pensar em limpar a casa trepam pelas paredes acima. Comigo não se passa isso. Ligo a música bem alto, começo numa ponta e cabo na outra.
Já no que diz respeito a passar a ferro ... isso já é outra história!!! Posso sempre pedir ao maridinho para tratar do assunto ... eh eh eh eh
Limpeza feita numa tarde de chuva e agora banho quentinho até ficar com a pele enrugada ... é jantar e ir aninhar-me na cama (porque no sofá não dá ... a V. ainda não instalou a fibra para a tv funcionar!!!)

21 de fevereiro de 2015

"Entre briga de marido e mulher ninguém mete a colher"

"Entre briga de marido e mulher ninguém mete a colher" - Provérbio português
 
Este provérbio sugere muita coisa e remete para outras tantas. No entanto, se calhar a mais óbvia será a temática da violência doméstica. Tem sido utilizado na campanha contra a Violência Doméstica mas com a frase “Entre marido e mulher deve meter-se a colher” porque com a entrada da nova lei contra esta problemática, este problema passou a ser considerado um crime público e não um assunto meramente doméstico.

A entrada em vigor do novo Decreto de Lei que regula a protecção das vítimas de violência doméstica fez com que se “metesse a colher” e muito mais. Todas as pessoas têm o dever de denunciar quando presenciarem ou tiverem conhecimento destas situações. É bastante habitual ouvir-se que num casamento ninguém deve opinar ou meter-se entre os assuntos do casal.

Até bem recentemente, ninguém tinha o direito de se intrometer nos assuntos privados de uma família. Isto fez com que durante muitos anos ocorressem situação de violência entre o casal e todas as pessoas fechavam os olhos, viravam a cara, etc. Antigamente, utilizava-se muito esta expressão quando existiam conflitos verbais ou não entre os dois elementos do casal. Remetia para que eles próprios resolvessem os seus problemas sem a ajuda de ninguém.

Esta nova lei proporciona às vítimas desta barbárie um conjunto de direitos que as ajuda a reerguer-se económica, social e emocionalmente. Apesar de na prática continuarem a existir muitos entraves, pelo menos, há agora uma resposta jurídica para estas vítimas saírem do pesadelo em que vivem e viveram.

Por isso, ainda bem que se mete a colher entre briga de marido e mulher para que se ponha um ponto final neste problema tão presente na nossa sociedade.

Quando um casal inicia uma vida em comum, é normal que haja interferência de ambas as famílias de origem. Cabe, no entanto, ao casal que estas interferências sejam ou não benéficas para o mesmo e para as suas decisões de vida. Além disso, os modelos de infância que cada elemento do casal aprende tendem a ser repetidos de geração em geração e, muitas vezes originam conflitos mais ou menos graves nas relações familiares. Dispensam-se as pessoas que têm como única intenção bisbilhotar e dar palpites sobre a vida dos outros e isto inclui pais, sogros, irmãos e amigos que desejam unicamente criticar, julgar e acusar. No entanto se o objectivo destes é unir, sugerir alternativas, novos caminhos e opções (que por vezes estão mesmo à frente do casal e este não vê, seja lá porque razão for) aceitam-se de bom grado.

Com o passar do tempo, se os conflitos não se resolvem, estes tendem a ser cada vez maiores e a relação de casal entra numa espiral tão negativa que nenhum dos elementos consegue comunicar, as ofensas e as acusações aumentam e, a tolerância acaba.

Quando o casal procura ajuda de um terapeuta é porque considera que a sua relação ainda tem alguma hipótese, como se fosse como uma última oportunidade antes de se decidirem pelo divórcio.

Meter a colher de forma terapêutica, ajuda o casal a pensar e a reformular a sua vida, os seus sentimentos, as suas decisões e os seus conflitos, de forma a encontrar as soluções mais adequadas a si mesmo. O casal aprende a conhecer-se melhor, enquanto casal e a vida melhora em todas as esferas.

As coisas não são tão preto e branco ou sim e não como algumas pessoas pensam, também existe o cinzento ou os “nins”, por mais que alguns não gostem desta cor ou situação. É muito importante existirem várias formas de olhar, várias perspectivas sobre uma mesma situação.

Tal como refere Salvador Minuchin “Todos os casamentos têm erros. Alguns casais têm mais sucesso do que outros a repará-los.”

6 de fevereiro de 2015

Mudanças - parte 2

Por aqui já estamos na casa nova, com as coisas arrumadas.
Sinceramente, não sei o que dá mais trabalho: se encaixotar as coisas quando estamos na casa antiga, se desencaixotar as coisas quando já estamos na casa nova.
Os antigos inquilinos deixaram a casa numa lástima de sujidade e imundice. Nunca tinha visto uma casa tão nojenta. Pelo menos podiam ter limpo alguma coisa antes de ir embora. Mas não, tanto não limparam como ainda deixaram dívidas de água, luz e gás para pagar. O que é sempre bom quando ligamos para fazer novas ligações e nos dizem do outro lado que "ah e tal, o Sr./Sra. não sei quantos deixou uma dívida para pagar ...".
Enfim, depois de conversa para lá e e-mails para acolá a comprovar que eram outros inquilinos a viver na mesma casa, lá vieram fazer a ligação.
Passo seguinte: limpezas. Valeu-nos a querida Fátima que nos deu uma ajuda brutal. A Fátima é daquelas pessoas que limpam "à antiga", limpa tudo, mas mesmo tudinho.
Depois das limpezas, começar a acartar caixas, caixinhas e móveis para a casa nova. Mas como é que é possível conseguirmos acumular tanta tralha em casa, que não utilizamos?!?!?!
Sala repleta de caixas e caixinhas, com móveis à mistura.
Fomos começando a colocar as caixas nas divisões respectivas, para que o arrumar não fosse tão complicado. E, sinceramente, foi o mais acertado.
Já conseguimos arrumar praticamente tudo, à excepção do hall de entrada e do escritório. No hall de entrada estão as malas das ferramentas (que ainda fazem falta para pendurar os quadros, varões dos cortinados, prateleiras, etc, etc. No escritório, roupa para passar, dossiers de papelada para arrumar e por aí adiante.
De resto, ainda nos estamos a habituar à casa nova, a novas rotinas (o Rui passou a ter que ir de carro para o trabalho ... já não está propriamente no cima da rua ...), mas estamos a gostar muito. Posso mesmo dizer que esta casa é o nosso lar e a outra não. Nunca consegui sentir a outra dessa maneira. Mas esta sinto! Pergunto-me a mim mesma porque razão será ... mas isso vai para um outro post.
E sim ... já devíamos ter decidido há muito tempo mudar de casa!!!

25 de janeiro de 2015

Terapia Familiar

Depois de 6 anos a trabalhar na instituição onde eu estava, fiquei desempregada.
Durante o tempo que estive a trabalhar era de todo impensável fazer um curso, Pós-Graduação ou Mestrado. Não que não tivesse vontade ou quisesse fazer, muito pelo contrário, mas porque o ritmo de trabalho e o próprio trabalho eram tão absorventes que era injusto ir fazer o curso e não o aproveitar ao máximo para depois utilizá-lo.
 
Não sei se só aconteceu comigo, mas chegou a um ponto em que precisava de fazer uma reciclagem de aprendizagens. No entanto, não estava interessada em fazer nenhum mestrado em Serviço Social nem em Psicologia, Recursos Humanos ou outra coisa qualquer. Pesquisei as Pós-graduações e nenhuma me preenchia totalmente. Para que é que ia pagar um balúrdio de dinheiro numa formação que depois não me iria servir para nada em contexto laboral?!
 
Houve um bendito dia que estava a ver os meus e-mails e de repente vejo um que dizia que a Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar iria iniciar um Curso de Sensibilização à Terapia Familiar e Sistémica em Janeiro de 2015. Duração de 7 meses ... pesquisei, pesquisei e ... cheguei à conclusão que era mesmo este curso que me faltava à formação de base (Serviço Social).
 
Tinha que fazer alguma coisa de útil para a minha formação porque senão iria começar a dar com a cabeça nas paredes. Isto de se ficar desempregada tem muito que se lhe diga. E o ritmo alucinante que era o meu dia a dia, notei bastante diferença em abrandar o ritmo. De início, soube bem, porque estava completamente de rastos, cansada mesmo, do trabalho, pessoalmente (mas isso fica para outro post), etc. Mas com o passar do tempo, comecei a sentir que me estava a fazer falta as coisas que fazia diariamente.
 
O Curso de Sensibilização iniciou-se este mês e só com uma sessão tenho a certeza absoluta que fiz a escolha mais acertada. Espero que o sonho se concretize um dia (porque eu sou muito mas muito teimosa e quero que se concretize) e quando o Curso acabar (daqui a 3 anos) vou pensar seriamente em abrir um gabinete próprio de Terapeuta Familiar.
 
Até lá vou fazendo o curso, enviando CV's e, muito em breve, trabalhar!!!
 
 
 
 

Mudanças - parte 1

Pela primeira vez na vida, não me importo com as coisas desarrumadas cá por casa porque mais cedo ou mais tarde elas vão ser arrumadas noutro lado. Caixas empilhadas umas em cima das outras, tapetes enrolados prontos para partir, móveis completamente vazios a aguardar a ida, ...
Apesar de parecer uma saltimbanca e vir unicamente dormir e comer o pequeno-almoço em casa, já estou naquela fase que não tenho qualquer ligação com esta casa e preciso urgentemente de mudar para a outra.
Enquanto isso, cá por casa, vamos aprendendo e aproveitando viver no meio da confusão e ... De certa forma até é agradável!!!

22 de janeiro de 2015

Destralhar a tralha

Há coisas que por mais que queiramos adiar (porque realmente não é das coisas mais apetitosas), chega o dia em que nos levantamos e dizemos "é hoje". E foi mesmo hoje que me levantei e disse a mim mesma que tinha que organizar o meu quarto em casa dos meus pais.
Quando fui viver com o meu marido há 3 anos (já passaram 3 anos?!?!), não levei os livros, dossiês, encadernações da licenciatura, porque uma vez que vivemos relativamente perto da casa da meus pais, achei que não valia a pena levar. Basicamente, era mais uma coisa para encher a nossa micro casa e, já que era uma micro casa, era melhor não enchê-la de tralha.
Passou-se o mesmo com todo o material de pintura, revistas e livros. Pensando bem, acho que isto é outras coisas fizeram com que deixasse de pintar (e tenho tantas saudades). Mas vou deixar de ter porque é uma dos meus objectivos para este ano de 2015.
Comecei por tirar caixas, caixinhas, dossiers de ciclo/secundários e alguns livros de inglês, francês, etc. Tudo para a arrecadação. Depois, numa estante os documentos dos estágios da Licenciatura, dossiers, encadernações e livros. Na outra estante ficaram as coisas de pintura e artes decorativas (livros, revistas, etc.) e os livros que vou lendo (que são mais que muito porque sou uma daquelas pessoas que assim que começa a ler um livro não existe mais nada).
Não consegui arrumar tudo, mas está no bom caminho.
Uma pessoa só tem consciência que tem demasiadas coisas a encherem o quarto quando começa a deitar as coisas fora e pensa "mas para que raio é que eu quero isto?!". Só serve para encher uma divisão e a nossa cabeça ... Já lá vão 6 sacos de coisas para o lixo!!! E a saga continua ...